quinta-feira, 26 de abril de 2018

26/4 - HELIO FERNANDES - TEXTOS

FONTE:http://heliofernandesonline.blogspot.com.br/

Editoria: Helio Fernandes. Subeditoria: Roberto Monteiro Pinho
quarta-feira, 25 de abril de 2018

A PRISÂO DOS AMIGOS INTIMOS DE TEMER

HELIO FERNANDES

Falta pouco. A PGR, cumprindo dever e obrigação, pediu. Falta  o atendimento, embora o Planalto, como sempre, diga, "estamos tranqüilos, não existe irregularidade", Embora os fatos desmintam o presidente corrupto e usurpador. Voltou o personagem principal, José Yunes, que tomou posse, "como amigo intimo de 50 anos". Assessor Especial.

As TVs estão repetindo a cobertura de maio de 2016. Yunes era e continua sendo apenas coadjuvante, querendo participar e colaborar. Como por exemplo, receber envelopes misteriosos a pedido do Chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. Todos sabiam que era dinheiro, menos o bem intencionado Yunes.

Não demorou muito, foi demitido, não confirmam, mas a pedido (ou ordem) do próprio Eliseu. Que a partir de FHC, foi ministro de todos os governos, com exceção de Lula. Mas incluindo Dona Dilma, embora tenha participado da conspiração parlamentar contra ela. Ganhou mais poder como ministro da intimidade.

Só que Yunes voltou disposto  a contar a verdade. Está contando e assustando. A principal revelação: colaborava, mas contava tudo ao próprio Temer. Agora não vai parar, sabe que não é responsável por nenhum crime, principalmente de corrupção. E vão surgindo episódios tolos, primários, que poderiam ser realizados legalmente. Mas preferem complicar.

Por que Yunes teria que vender uma casa a Dona Marcela? Ela não tem renda nem patrimônio, mas querem convencer a todos, que o dinheiro era dela. Mas o cheque é do presidente corrupto e usurpador.

E ela quase imediatamente vendeu a casa,  todas as operações poderiam ter sido realizadas regulamente, é normal comprar e vender uma casa.

PS - A situação de Temer cada vez se complica mais. È impossível recusar o pedido de prisão dos amigos íntimos.

PS2 - E eu só tratei de um. Quando chegar a vez do ex-coronel Lima, aparecerão propinas de todos os tamanhos.

TRIBUNAL DO JÚRI, GRANDE AVANÇO DA JUSTIÇA, MENOS NO BRASIL

Na Idade Média, o Rei Henrique II, criou o Tribunal do Júri. 12 jurados investigadissimos, acima de qualquer suspeita. Decisão por UNANIMIDADE. Logo o mundo se apoderou da criação, Thomas Jefferson,  a grande figura da Independência dos EUA, escreveu: "O Tribunal do Júri é o grande avanço da Justiça. A aristocracia perdeu o poder de julgar, que passou para o povo". Ele consagrou isso em 1804, quando era presidente dos EUA.

Quando chegou ao Brasil, deturparam  e destruíram tudo. 7 jurados, decisão por maioria simples, quase sempre 4 a 3, vergonha e absurdo.

Agora o Tribunal de Justiça determinou que 77 policiais militares, depois de 26 anos, sem nenhuma punição, sejam julgados pelo Tribunal do Júri. São acusados da morte de 111 presos, no chamado "Massacre de Carandiru". Não acredito que vá haver o julgamento. Se houver, é bem possível que venha um 4 a 3, pela condenação ou absolvição, não sendo uma coisa nem outra.

PS - Para não esquecer. Na época do massacre, o secretario de Segurança de SP, era  Michel Temer.

PS2 - O governador Fleury, mandou seu secretario ir a Carandiru, tentar negociar. O resultado está aí.

TEMER - GILMAR MENDES

Mais uma vez, desavergonhadamente, o ministro do STF  vai conversar com o presidente da Republica, "fora da agenda". O STF tem vários assuntos na pauta já marcada. Ou perto de serem marcadas. Essa explicação que não explica nada é um fato acintosamente tornado público, revoltando a opinião publica.

Os 9 juízes (correspondendo aos ministros no Brasil) dos EUA, são vitalícios, seria assombroso e estarrecedor, que um deles inesperadamente, aparecesse na Casa Branca. Só em solenidades oficiais, com presença obrigatória.

PS - Daí a diferença de respeitabilidade, dignidade, credibilidade.

26/4 - Protestos contra privatização da Repar em Araucária

FONTE:https://www.esmaelmorais.com.br/2018/04/protestos-contra-privatizacao-da-repar-em-araucaria/

BLOG DO ESMAEL

A política como ela é em tempo real.



Protestos contra privatização da Repar em Araucária

  | Comente agora
Trabalhadores protestam hoje (26) contra a privatização da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária. Além da Rapar, o ilegítimo Michel Temer (MDB) quer “torrar” outras três refinarias da Petrobrás com seus dutos e terminais de distribuição.
Os Petroleiros, petroquímicos e trabalhadores da montagem e manutenção industrial paralisaram o complexo industrial da Repar. O protesto marca o início da mobilização contra a privatização da Repar e outras refinarias. A Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen-PR) também corre risco de ser privatizada.
A manifestação bloqueou os portões de acesso das fábricas. Participam da mobilização os três sindicatos que representam as categorias que atuam no complexo de Araucária.
Segundo o Sindipetro PR-SC, manifestações semelhantes ocorrem em diversas unidades da Petrobras pelo País e visam denunciar a privatização da empresa e a entrega às multinacionais de setores estratégicos da companhia. A Assembleia Geral dos Acionistas da Petrobrás se reúne hoje para eleger o Conselho de Administração, que é o principal órgão decisório da estatal.
Entre os indicados pelo governo estão José Alberto de Paula Torres, executivo da Shell; a ex-vice-presidente sênior da Maersk Drilling, Ana Lúcia Poças Zambelli; e Clarissa de Araújo Lins, atual diretora do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), entidade que representa os interesses das empresas do setor, que concorrem diretamente com a Petrobrás.
“O governo está indicando para o Conselho da Petrobrás pessoas vindas da concorrência e isso é muito grave”, afirmou o coordenador da Federação dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel.
Assista a um trecho do protesto transmitido pela CUT-PR:
Com informações do Sindipetro PR-SC.

26/4 - ATIBAIA: Moro decide manter ação contra Lula


FONTE:https://oglobo.globo.com/brasil/moro-decide-manter-acao-contra-lula-que-trata-do-sitio-de-atibaia



Moro decide manter ação contra Lula que trata do sítio de Atibaia

Juiz alega precipitação das partes e dá andamento a recurso da defesa que estava parado há oito meses

Em despacho, Moro afirmou que há precipitação das partes - a defesa pediu o envio dos processos à Justiça de São Paulo e a força-tarefa da Lava-Jato defendeu sua permanência em Curitiba -, uma vez que o "respeitável acórdão" da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal "sequer foi publicado" e ele é necessário para que seja avaliada a extensão da decisão do colegiado. O STF decidiu tirar de Moro as delações da Odebrecht e enviar para a Justiça de São Paulo.
Moro lembrou, porém, que o recurso da defesa (a exceção de incompetência) não tem efeito suspensivo da ação, que deve prosseguir.
"Pelas informações disponíveis, porém, acerca do respeitável voto do eminente Relator Ministro Dias Toffoli, redator para o acórdão, não há uma referência direta nele à presente ação penal ou alguma determinação expressa de declinação de competência desta ação penal. Aliás, o eminente ministro foi enfático em seu respeitável voto ao consignar que a decisão tinha caráter provisório e tinha presente apenas os elementos então disponíveis naqueles autos", escreveu Moro.
Moro disse que avaliar a competência dele nas ações penais em andamento "não é algo automático" e que ela deve ser decidida por meio do recurso chamado "exceção de imcompetência". O juiz reconheceu que não julgou o recurso e atribuiu ao "acúmulo de processos perante este Juízo e da própria sucessão de requerimentos probatórios das Defesas na presente ação penal".
O juiz lembrou ainda que, no caso do sítio de Atibaia, a Odebrecht não é a única envolvida, já que as obras tiveram participação também da OAS e do pecuartista José Carlos Bumlai, amigo de Lila.
Para dar curso à exceção de incompetência, Moro afirmou que reabrirá os prazos para que ela seja avaliada à luz da decisão da 2ª Turma do STF. Segundo ele, serão abertor prazos para acusação e defesa se manifestarem. "Assim, as partes poderão formular todos os argumentos possíveis e a questão poderá ser examinada considerando a r. decisão e todos os elementos probatórios constantes na presente ação penal. Observo, contudo, que a reabertura da questão e dos prazos na exceção precisam aguardar, por todo evidente, a publicação do acórdão para melhor análise do julgado"
Apesar do envolvimento de Bumlai e da OAS, que bancaram obras no sítio avaliadas em R$ 300 mil, cabe à Odebrecht a maior parte do gasto na reforma. A empreiteira entrou com R$ 700 mil. Segundo o empresário Emílio Odebrecht, o pedido para que a empreiteira assumisse a reforma foi feito em 2010 por dona Marisa Letícia (ja falecida), durante a festa de aniversário de Lula, no Palácio do Planalto. Dona Maria teria feito o pedido para Alexandrino Alencar, amigo de Lula e braço direito de Emílio Odebrecht.
Emílio disse que, na ocasião, Alexandrino afirmou que dona Marisa pediu que não falassem nada a Lula porque a reforma seria uma surpresa para ele. Porém, no penúltimo dia do mandado de Lula - 30 de dezembro de 2010 - o empresário foi ao Palácio do Planalto para uma visita e disse a Lula que cumpriria os prazos de entrega da obra do sítio.
Lula não teria dito nada, mas também não manifestou surpresa. Segundo Emílio, ficou entendido que Lula já sabia da reforma do sítio de Atibaia.
Moro ainda não se manifestou na ação do prédio
Além de pedir a transferência do processo do sítio de Atibaia, a defesa de Lula pediu também que Moro encaminhe para a Justiça de São Paulo o processo em que Lula é acusado de receber benefícios da Odebrecht - um prédio para o Instituto Lula, que nunca foi utilizado, e uma cobertura vizinha à do ex-presidente em São Bernardo do Campo. Neste caso, Moro não se manifestou ainda.
O prédio, comprado pela Odebrecht por cerca de R$ 12 milhões, teria sido descontado de uma conta de propina com o PT, chamada de "planilha italiano" e cujo saldo era controlado pelo ex-ministro Antonio Palocci. A cobertura foi comprada em nome de Glaucos Costamarques, primo do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, e o dinheiro, segundo a força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba, saiu da conta de propina da empreiteira.
Neste caso, as delações da Odebrecht são muito importantes, mas não são as únicas a serem usadas contra o ex-presidente. O ex-ministro Antonio Palocci, por exemplo, confessou a Moro que administrava a conta propina da Odebrecht com o PT, que consta na chamada "planilha italiano". A planilha não foi entregue pela Odebrecht, pois já havia sido apreendida pela Polícia Federal nos arquivos de executivos da empreiteira.
Palocci foi o intermediário da negociação para a compra do prédio para o Instituto Lula. Segundo Marcelo Odebrecht, foi ele quem deu o aval para que o valor fosse descontado da conta propina.
O empresário também apresentou uma série de emails sobre o assunto, trocado com executivos da empresa. A força-tarefa da Lava-Jato já havia apreendido emails enviados a Branislav Kontic, assessor de Palocci.
A defesa do ex-presidente diz que o Instituto Lula não aceitou o prédio comprado pela Odebrecht e que o apartamento era alugado. No decorrer do processo, os advogados de Lula apresentaram recibos de pagamento de parte dos aluguéis, mas Costamarques disse ter assinado todos num único dia, em 2015, dentro de um hospital, a pedido de uma advogado de Lula. Mas Costamarques afirma que o dinheiro usado para comprar o imóvel não foi da Odebrecht.


Leia mais: https://oglobo.globo.com/brasil/moro-decide-manter-acao-contra-lula-que-trata-do-sitio-de-atibaia-22629687#ixzz5DnMJWW00 
stest 

26/4 - Entrevista de José Dirceu à Folha ficará para a história





Entrevista de José Dirceu à Folha ficará para a história



Prestes a ser preso, José Dirceu admite que poderá passar o resto da vida na prisão. Ex-ministro revelou detalhes da convivência com os presos da Lava Jato, falou sobre a rotina no presídio, analisou o cenário político e fez projeções

Entrevista de José Dirceu à Folha história
Após ter recurso negado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), o ex-ministro de Lula José Dirceu afirmou que não pode “brigar com a cadeia”. Em entrevista à jornalista Monica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, o petista também admitiu a possibilidade de ficar para sempre na cadeia.
O TRF negou, na tarde de ontem (19), o recurso da defesa de Dirceu e confirmou a condenação a 30 anos e 9 meses de prisão no âmbito da Operação Lava Jato, abrindo caminho para que o juiz federal Sérgio Moro exija o início da execução da pena. Com 72 anos, Dirceu admitiu que “é uma hipótese” ao ser questionado sobre a possibilidade de ser preso agora para não sair nunca mais.
Não muda nada. Preso ou aqui fora, vou fazer tudo o que eu fazia: ler, estudar e fazer política. Eu tenho que cumprir a pena. Eu não posso brigar com a cadeia. O preso que briga com a cadeia cai em depressão, começa a tomar remédio”, disse o ex-ministro.
Ele afirmou que chegou muito deprimido ao Complexo Médico-Penal de Pinhais (CMP), em Curitiba, onde ficou preso provisoriamente entre 2015 e 2017 e leu 100 livros no período em que ficou preso e trabalhou na biblioteca da prisão.
Dirceu também respondeu sobre a convivência com o ex-deputado Eduardo Cunha, preso desde 2016. Ele classificou o ex-presidente da Câmara, que conduziu o processo de impeachment de Dilma Rousseff, como uma pessoa quieta e muito disciplinada, que dedica partes do tempo para ler a bíblia e os processos contra ele. “É uma convivência normal. Vamos limpar os banheiros? Vamos. Vamos lavar os corrimões? Vamos.”
Sobre o também ex-ministro Antonio Palocci, afirmou que só o encontrou uma vez, na Polícia Federal. Lá, Dirceu afirmou que Palocci disse a ele que iria relatar como era o caixa dois no Brasil e que Leo Pinheiro, ex-executivo da empreiteira OAS, iria “salgar o Lula”. Quando voltou ao CMP, afirmou a Eduardo Cunha e João Vaccari que achava que Palocci faria uma delação premiada. A declaração foi recebida com indignação por ambos. O acordo dele está em fase de negociação.
Dirceu reclamou ainda da “tortura psicológica” com a publicitária Monica Moura, esposa de João Santana, para fazer delação e afirmou que o pior para Lula já passou. “O pior para ele já aconteceu: a indignidade de ser condenado e preso injustamente. Depois disso, tem que se adaptar às condições e transformar elas em uma arma para você. Esse é o pensamento. Mas eu acho que raramente um ser humano suporta ficar um ano num banheiro e quarto vendo três vezes por dia alguém trazer comida para ele”, disse Dirceu.

Eleições

O ex-ministro também afirmou que, se os partidos de esquerda  PSOL, do PC do B, o PT, o PDT e PSB – se unirem no segundo turno, há possibilidade de ganhar as eleições. Para ele, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, recém-filiado ao PSB e cotado como presidenciável do partido, é “um candidato que pode ser cooptado pela direita”, mas ainda é uma incógnita.
A seguir, leia a íntegra da entrevista:
Como o senhor se sente hoje, prestes a ser preso de novo?
O país vive uma situação de insegurança e instabilidade jurídica, de violação dos direitos e garantias individuais. O aparato judicial policial se transformou em polícia política.
Como a minha vida é o PT e o projeto que o Lula lidera, eu tenho que me preparar para continuar fazendo política. Eu não posso me render ao fato de que vou ser preso.
O senhor está com 72 anos e foi condenado a 41 anos de prisão. Estamos falando de um regime fechado de sete anos.
É. E eles acabaram com a progressão penal. Você só pode ser beneficiado se reparar o dano que dizem ter causado. E como, se todos os seus bens estão bloqueados? Acabaram com o indulto [para crimes de colarinho branco]. Vamos cumprir a pena toda.
Então o senhor pode entrar agora na cadeia para não sair nunca mais?
É uma hipótese.
E como se sente?
Não muda nada. Preso ou aqui fora, vou fazer tudo o que eu fazia: ler, estudar e fazer política.Eu tenho que cumprir a pena. Eu não posso brigar com a cadeia. O preso que briga com a cadeia cai em depressão, começa a tomar remédio.
Os presos antigos, de forma jocosa mas a sério, quando veem um de nós não aceitando… porque é duro perder a liberdade. Quer dizer, não perde porque não perde a liberdade de criar, de pensar, e também não perde o afeto, o amor. Milhões de pessoas vivem numa condição subumana por causa da pobreza, da exploração. E criam, né? Fazem música, arte, criam os filhos, batalham.
Mas eles [presos antigos] dizem [para quem chega na cadeia]: “Já chorou bastante? Já rezou? Já chamou mamãe? Já leu a Bíblia? Então agora, cidadão, começa a trabalhar! Arruma emprego aqui dentro pra fazer remissão [da pena]. Estuda, viu?”
Outra coisa: arruma a tua cela. Transforma aquilo num mocozinho seu, num apartamentinho, põe fotografia da tua filha, põe a bandeira do teu time. Limpa ela direitinho, melhora o que você come. Joga futebol. Porque você vai ficar aqui quatro anos. [Aumentando o tom de voz]. Tá entendendo o que eu tô te falando? Ou você quer ficar igual àqueles lá? [referindo-se a presos deprimidos].
Aquilo ali é três Frontais [remédio para ansiedade] por dia. Olha como ele já tá andando durinho. É o crack em parte que queimou a cabeça dele. Mas o resto é a depressão.
O senhor ouviu esses conselhos quando entrou no sistema penitenciário?
Ouvi. Eu cheguei muito deprimido no CMP [Complexo Médico Penal de Pinhais, em Curitiba]. A minha filha estava denunciada —depois ela foi inocentada—, o meu irmão estava preso.
Eu tomava indutor do sono. Mas logo parei. Fui buscar emprego na biblioteca. Li cem livros no um ano e nove meses em que fiquei lá.
Outros presos vão trabalhar na lavanderia, consertam roupa, outros vão para a censura para ver se os Sedex [enviados pelas famílias] estão dentro da norma, orientados por um agente.
E eu virei, né? Todo sábado e domingo, quando fazíamos almoços coletivos, eu também escrevia as minhas memórias, na cela, à mão.
E como era a convivência com Eduardo Cunha?
Normal. Você está preso. Convive com [condenados pela lei] Maria da Penha, com um pedófilo condenado a cem anos de prisão. Ele é o chefe de um setor. É uma pessoa normal, quieta.
A primeira reação é “não vou falar nunca com ele“. Depois de três anos, minha cara, não adianta. Tem que falar.
Lá tá todo mundo na mesma m., entendeu? Há uma solidariedade. “Vamos evitar que o velhinho pegue sarna, vamos limpar a cela dele, vamos levar ele para tomar banho”.
Se contamina uma cela, pode contaminar todas as 32 celas da galeria, com sarna, com pulga. Temos que cuidar para que todo mundo ferva a água.
E o Eduardo Cunha?
Ele é muito disciplinado. Dedica uma parte do tempo para ler a Bíblia, frequenta o culto. Conhece a Bíblia profundamente. E em outra parte do tempo se dedica a ler os processos.
É uma convivência normal. Vamos limpar os banheiros? Vamos. Vamos lavar os corrimões? Vamos.
Tem que limpar o xadrez todos os dias, lavar as portas e a galeria, para evitar doenças. Nós ficamos na sexta galeria, [que abriga] os presos da Lava Jato, Maria da Penha, advogados, empresários, alguns condenados por crimes sexuais. São 60 presos, separados dos 700 [do complexo penal].
Falavam de política?
Falávamos. Sempre tem uma hora em que um preso joga xadrez, dominó, o outro toca música, ou está acabando de almoçar, voltando do trabalho. Nessas horas você sempre conversa.
E todo mundo é inocente, né? O cara matou a avó, fritou o gato dela, comeu. Mas ele começa a conversar com você e a reclamar que é inocente.
Ficam mais tempo trancados ou circulando?
Ficamos na tranca quando tem rebelião no sistema porque se tem em uma cadeia pode ter na outra. No dia a dia, levantamos às 6h30. Os carros chegam entregando o café da manhã. São muito barulhentos. Todo mundo acorda. Aí sai da cela. Quem tem que trabalhar vai trabalhar.
Às 11h30, chega o almoço. Tudo lá é simples, mas honesto. A comida é simples —de pensão, de quartel—, mas honesta. A roupa de cama é simples, mas honesta. Às 13h30, alguns presos vão ao médico, outros ao parlatório [falar com os advogados]. Todos podem ir na biblioteca retirar um livro.
Desce no pátio duas horas por dia para jogar futebol e tomar sol. E volta. Desce uma vez por semana para ver a família. E volta. Por três, quatro, dez anos, você passa a maior parte do tempo numa galeria de 120 m por 30 m com várias celas. Essa é a realidade do preso.
E as visitas da família?
Você não pode receber a tua família mal. A gente briga muito com os outros presos: “Tua família não pode te ver assim. Fique melhor. Se arruma. Levante o ânimo. Imagine como vai ficar a tua mãe”.
E, se a família chega chorando, o preso volta da visita, deita na cama e cai. É duro ver a família indo embora. É duro. Muitos choram.
O senhor conviveu com Antonio Palocci?
Estive com ele uma só vez, na Polícia Federal. Foi quando ele me disse —ele usou esta expressão: “o Leo [Pinheiro, ex-executivo da OAS] vai salgar o Lula [o empreiteiro revelou à Justiça que pagou a reforma do tríplex do petista]“.
E me disse que ele mesmo ia relatar, em depoimento, como era o caixa dois no Brasil. Deu a entender que ia falar do sistema bancário, eu entendi que ia falar da TV Globo. E fiquei apreensivo. Voltei e conversei com o Eduardo [Cunha] e com o [João] Vaccari [ex-tesoureiro do PT que está preso]: “Tô achando que o Palocci vai fazer delação“.
Os dois ficaram indignados comigo. Principalmente o Eduardo, que disse: “Eu convivi com ele. Em hipótese nenhuma“. Eu deixei para lá.
É verdade que o marqueteiro João Santana contou para o senhor que delataria?
O que fizeram com a Mônica [Moura], mulher dele, foi terror psicológico. Colocaram ela na triagem de Piraquara, uma das piores penitenciárias do Paraná, totalmente dominada pelo crime.
Colocar na triagem significa o seguinte: te colocam numa cela pequena, sem luz, sem nada. Te dão a comida pela bocuda. Sai para tomar banho dez minutos e volta. Em dois dias você faz delação, né?
E isso não é uma tortura psicológica?
Ele falou para mim depois, um pouco como desabafo, angustiado: “Não tenho condição“. Preocupado, né? Porque as pessoas têm vergonha de fazer delação.
Eu falei: “João Santana, da minha parte você vai continuar tendo o meu respeito. Essa é uma questão de vocês“. Já os empresários têm as razões deles, salvar a empresa, o patrimônio, os empregos.
O senhor também conviveu com o Marcelo Odebrecht.
Ele ficava sozinho numa cela. É afável, educado. Mas tem uma vida muito própria. Faz ginástica oito, dez horas por dia. Então não convive, né? Todo mundo sabia que ele era assim e todo mundo respeitava.
Ele se comportou muito bem. Até poderia ser de maneira diferente, pelo que representava. Mas ali é todo mundo igual. Preso não aceita [comportamento diferente]. Quando você entra no sistema, tem que pôr na cabeça o seguinte: “Eu sou preso. Aqui eu sou igual a todo mundo“. Os presos te respeitam se eles veem que você é um deles.
Como vê a perspectiva de Lula ficar preso sozinho? Ele suporta o isolamento?
Como o tratamento é respeitoso e ele recebe advogados todos os dias, e a família uma vez por semana, vai se adaptando.
O pior para ele já aconteceu: a indignidade de ser condenado e preso injustamente. Depois disso, tem que se adaptar às condições e transformar elas em uma arma para você. Esse é o pensamento. Mas eu acho que raramente um ser humano suporta ficar um ano num banheiro e quarto vendo três vezes por dia alguém trazer comida para ele.
Agora surgiu a ideia de o Lula ir para um quartel. Seria pior ainda. Porque eles não querem ninguém lá. A função do quartel não é ser presídio. Ele vai ficar mais isolado.
E ele não consegue?
Eu acho que ele não deve. É uma questão política. Ele deve conviver com outras pessoas, pensar o país, pensar no que está acontecendo. Ele não está proibido de fazer política só porque está preso.
Se o Lula vier para a sexta galeria [unidade do complexo penal em que Dirceu ficou detido], verá que é uma convivência normal. É muito raro ter um incidente. E na prisão você conversa, aprende muita coisa. As pessoas têm muito o que ensinar.
Às vezes você acredita no mito que criam sobre você. Que você é especial, que teve uma vida, no meu caso, que dá até um filme. Mas você começa a conversar com um preso comum, e descobre que é fantástica a vida de cada um lá.
O que o senhor sentiu quando viu Lula sendo preso?
Eu sou muito frio para essas questões, sabe? Acho que ele fez o que tinha que fazer, aquela resistência simbólica foi necessária. E nós ganhamos essa batalha política e midiática.
Mas nada mexeu com o senhor?
Eu fiz da minha vida praticamente o Lula. E me mantive leal a ele. Não faltaram oportunidades, amigos e companheiros que me empurravam para romper com ele, em vários episódios. Mas eu sempre achei que a obra do Lula, a liderança dele, o que ele fez pelo país, compensava qualquer outra coisa. Então eu não dei importância. Depois de uma semana, já não lembrava.
Em 2011, eu estava num barco alugado, pescando, e recebi um telefonema com a informação de que o Lula estava com câncer. Eu chorei. Me deu a sensação de que poderia ser o começo do fim da vida do Lula. Mas agora, como já passei três vezes pela prisão, é diferente.
Você tem que lutar por todos os meios, legais e políticos, para ser solto. Mas sempre tenho a ideia de que, se souber levar a prisão, ela pode se transformar numa melhora para você mesmo. De estudo, de pesquisa, de reflexão.
Em algum momento dessas reflexões na prisão o senhor concluiu que errou e cometeu crimes?
Eu não cometi crimes. Não há nenhuma prova, nenhum empresário ou diretor afirmando que eu pedi alguma coisa na Petrobras. O que eu errei? Na minha relação com [o lobista e delator] Milton Pascowitch. Eu comprei um imóvel, financiei, paguei a entrada.
Ele reformou o imóvel. Eu não paguei. Foi um erro meu. Eu não poderia ter estabelecido essa relação.
Era um empréstimo não declarado. Que virou propina. Foi uma relação indevida. Admito. Mas não criminosa.
O senhor já disse que a militância é solidária mas que vocês cometeram muitos erros.
Eu estava falando de mim. Eu sempre digo: eu tenho apoio da quase absoluta maioria da militância do PT porque ela é generosa. E essa solidariedade não é porque todos concordam com minhas ideias nem pelo que fiz na minha vida profissional recente. É pelo que eu fiz pelo PT, pelo Brasil, pelo Lula. É pelo que eu represento.
Querer ser consultor e ganhar dinheiro foi um erro?
Eu não queria ganhar dinheiro. Eu queria sustentar a minha defesa e a minha vida política. Eu não tenho patrimônio. A casa da minha mãe eu tinha comprado antes, o apartamento do meu irmão foi financiado.
Eu tenho R$ 2.000 na minha conta. É só ver como eu vivo, no apartamento da minha sogra. É só perguntar para o prédio sobre o IPTU. Vai na escola da minha filha perguntar sobre a mensalidade.
Quais foram os erros que o senhor cometeu então?
Eu não deveria ter feito consultoria. Ela cria um campo nebuloso entre os meus interesses como consultor e o interesse público. Eu ficava me lamentando: “Por que eu fui fazer essa coisa [consultoria] com a Engevix [pela qual foi condenado]?”
O Vaccari falava: “Para com isso, Zé Dirceu. Você não foi condenado por isso“. Depois fui condenado em outro processo sem ter nada a ver com nada. E o Vaccari falou: “Tá vendo?“.
Então eu às vezes fico dividido. E concluo que na verdade eu fui condenado por razões políticas. Eu não fui condenado pelas consultorias que prestei.
Lula fez um governo aprovado por 83% dos brasileiros. Por outro lado, desvios de milhões foram comprovados. O fato de vocês terem financiado campanhas com dinheiro de estatais e caixa dois não seria razão para um arrependimento, uma autocrítica?
Nós temos que denunciar o que fizeram conosco, e não foi por causa de nossos erros. O legado do Lula, o nascente estado de bem-estar social que ele consolidou, está sendo todo desmontado. Estão desfazendo a era Lula como quiseram desfazer a era Getúlio.
Eu faço o balanço histórico: estamos do lado certo e o saldo de tudo o que fizemos é fantástico. Eu vou dizer uma coisa para você: a Igreja Católica Apostólica Romana tem uma história de crimes contra a humanidade.
Não vou nem falar das Cruzadas ou da Inquisição. Se eu for olhar para ela, vou mandar prender todos os padres e bispos porque a pedofilia é generalizada. Ou não é? Mas é a Igreja Católica Apostólica Romana. A vida é assim. O mundo é assim.
O PT cometeu erros? Muitos. Mas tem uma coisa: o lado do PT na história, o nosso lado, é o lado do povo, do Brasil.
Não tinha outro jeito de financiar campanha?
Tem: o autofinanciamento com apoio popular. Mas, nas condições que estávamos enfrentando, era impossível fazermos isso. Porque a dinâmica da vida política, do sistema, é essa. A solução seria financiamento público com lista [partidária]. O PT lutou, o Lula lutou também por isso. Mas ninguém quis fazer.
Alguma vez o senhor imaginou que a história terminaria com o senhor e o Lula presos?
A tentativa de derrubar o nosso governo eu sempre imaginei. Toda vez que no Brasil há um crescimento muito grande das forças políticas sociais, populares, de esquerda, nacionalistas, progressistas, democráticas, isso acontece.
De 1946 a 1964, o Brasil viveu sob expectativas de golpe contra governos trabalhistas, getulistas. O Juscelino [Kubitschek] só tomou posse porque o [marechal Henrique Teixeira] Lott deu o contragolpe.
Só teve a posse do Jango porque [Leonel] Brizola se levantou em armas. Aliás, só derrotamos tentativas de golpe quando a gente tem armas. Estou falando sério.
Mas essa seria uma possibilidade?
A solução hoje é igualzinha à que eles fizeram. Desestabilizaram o governo Dilma. Impediram que ela aprovasse uma pauta de ajustes. Colocaram milhões de pessoas na rua e buscaram uma solução legal. Nós devemos fazer a mesma coisa.
E têm força para isso?
Temos. Pode demorar dois, quatro, seis anos, mas temos. Você não desmonta a estrutura de bem-estar social que o país tem sem consequências. As forças políticas e sociais vão ganhando consciência. Vão surgindo novas lideranças, novos movimentos.
O país vai ter um longo ciclo de lutas. Mas primeiro é ganhar a eleição. No segundo turno, se as esquerdas se unirem, teremos força para isso.
Quem o senhor coloca como esquerda?
Os candidatos do PSOL, do PC do B, o PT, o PDT e o PSB.
O senhor então inclui o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, hoje no PSB?
É um candidato que pode ser cooptado pela direita. Mas pode ser que não. É uma incógnita.
O senhor votaria nele no segundo turno contra contra alguém da direita?
Bem, essa hipótese… vamos esperar. O meu candidato é o Lula. Nós temos que lutar pela liberdade dele, mantê-lo como candidato e registrá-lo em agosto.
Se não fizermos isso, será um haraquiri politico. Nós dividiremos o PT em quatro ou cinco facções. Nós temos que manter o partido unido. Daqui a 60 dias, o Lula vai tomar a decisão do que fazer, consultando a executiva, os deputados.
Como ele fará uma consulta de dentro da prisão?
Da prisão você consulta quem quiser. Lula vai transferir de 14% a 18% de votos para o candidato que ele apoiar.
De dentro da prisão?
É a coisa mais fácil que tem. É só ele falar o que ele pensa.
Mas a gente sabe o trabalho que deu para ele transferir votos em outras eleições. Ele aparecia na TV todos os dias, viajava pelo país.
Sabe qual é a diferença de 2014? É que o lado de lá tem a TV Globo, o aparato judicial militar e o poder econômico. Mas está mais desorganizado e enfraquecido do que nós.
Eu tenho confiança de que o fio da história do Brasil não é o fio das forças da direita. O fio da história do Brasil é o fio que nós representamos.
Congresso em Foco
Acompanhe Pragmatismo Político no Twitter e no Facebook